quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Caso de amor sem esperança

Depois de toda a canseira do 4a Salão fui renovar os estoques e descobri que a lã Ponto Alto, da Aslan, que uso para fazer duas peças da minha produção, simplesmente saiu de linha. Foi um choque!

É essa lã grossona da Pelerine vermelha que está no manequim, 50% lã pura e 50% acrílica. Conversei com o pessoal da Aslan e eles foram super atenciosos para me explicar tudo o que acontece no processo industrial brasileiro. Ponto Alto não tem mais. E eu ainda estou de bico.

Um passo gigante

E chegou a vez de experimentar algo maior: o 4º Salão Internacional de Artesanato Raízes Brasileiras, 2 a 6 de Novembro, realizado no Pavilhão do Parque da Cidade, em Brasília. Fui selecionada e levei minhas peças, que ficaram acomodadas no Box do Distrito Federal junto com outros artesãos.

- Carinha de cansada? Sim, são 10 horas de exposição/dia e um senta-levanta interminável mostrando seu trabalho, explicando, conversando. No final vendi 10 peças, em cinco dias.

Conheci artesões e artistas manuais e suas celeumas - ví que ambos ainda precisam chegar a um acordo sobre essas manifestações de cultura e artes. Os artesãos se ressentem de ficarem juntos com expositores de trabalhos manuais como costureiras de retalhos, fazedores de enfeites variados, "artistas da transformação".

Mas encontrar o artesanato puro, com 90% de matéria prima trabalhada não é fácil. Tem muito "trabalheiro manual" misturando produto natural com industrializado e ainda brigando por selo de autenticidade. Eu sou uma tricoteira. Não vou inventar a roca de fiar, nem sair por aí tosquiando carneiros para tirar a lã pura e me declarar artesã pura. Compro fios sintéticos pela internet e sonho poder colocar minhas mãos em fios naturais. Por enquanto, tudo é brincadeira.



Feirinhas

Então comecei a fezer experiências em feiras. A primeira, pequenininha, no subsolo do Ministério da Justiça. Acho que ficou ajeitadinho o Box. Carreguei um montão de coisas para lá, que não precisava: durex, tesoura, lâmpada, enfim, bagagem de principiante.

Durante a minha semana como expositora vesti e desvesti as peças mil vezes, para mostrar como fica. E recebi elogios pelo trabalho. É bom fazer contato com quem entende de tricô e valoriza o trabalho. Costumo ensinar os truques da peça para quem quer saber e isso é muito gratificante também.

Vendi umas 4 peças e ainda estão me devendo a metade de um xale. (Como será que se sente uma pessoa que compra uma coisa e depois não paga?) É uma pena, para ela e para mim, que queria vê-la feliz com a peça que escolheu e a consciência tranquila.

terça-feira, 13 de julho de 2010

A filha que Deus me deu

Essa garota é uma parada. Digo, é um desfile completo!

Desejada e esperada, parida e amada, minha filha Lisa me abre o leque completo do mundo das emoções. Ela quer e bate o pé, ela avança o sinal do meu coração, ela dispara verdades quando se sente expremida contra a parede, quando a minha investigação maternal a importuna. Impossivel resistir a ela.

As novas peças que fiz cairam nela 'feito luvas', ela é demais! Entrei na onda dos pompons (carissimos, mas atrativos) e fiz cachecóis, echarpes e pelerines. Olhem só que graça!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Marina Silva: uma mulher única!


E foi a decisão da Marina Silva de trocar de partido que me levou a pensar, de estalo: seria bom ela ter uma proteção! E comecei a fazer um xale para ela. Partido Verde, xale idem, com jeito amazônico. Mas, e se ela não gostar da cor, pensei?

Então decidi fazer um xale preto, também, para ela escolher. Mas o marrom é tão bonito! E o azul, então? E nesse tece-tece, virei o ano e ainda não terminei de fazer de todas as cores que a lã oferece.

E as amigas começaram a botar “olho gordo” nas cores que fui tecendo.




- Quero o branco.



- Eu, o laranja!



- Dá pra mim esse preto com prata!



Anotei as encomendas e prometi entregar. Depois que a Marina escolher o dela. Tirei umas fotos para registrar a “produção”, que não sei se vai se repetir algum dia. Marina é única!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

As coisas que quero lembrar



Não lembro mais como se fazem sapatinhos de bebê. Tenho apenas um esboço na cabeça, mas se perderam os números e tabulações. Se fosse um bebê eu saberia como fazer; e se fosse para cuidar de um, acho que me sairia bem. Para você ver a importância relativa das experiências. Não pretendo mais fazer bebês, mas quero voltar a fazer sapatinhos para conservar quentes os pezinhos de quem virá. Assim como meias de lã para os maduros e friorentos.


Maria minha neta é friorenta, mas vive em Londres, feliz. Ela também tem um xale que fiz para a mãe dela, e alguns velhos cachecóis de quando moramos juntas. Minha neta Maria colocou aparelho nos dentes, com liguinhas azuis. Sua mãe me contou. Essa garota está embrulhadinha no meu coração, e se for por mim, ela nunca passará frio!



segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Num tempo não muito distante..


Hummn.. Parece sempre arriscado o primeiro passo. Igual ao primeiro ponto. Mas um pouco de esforço, insistência e curiosidade com minha própria capacidade e lá estava a primeira carreirinha de tricô. A segunda parece que demorou séculos para se completar e a terceira já me dava o gostinho de ter triunfado sobre minhas limitações, enfim, parece que aprendi a tricotar! E o que é mesmo que eu estava tricotando? Pequeno demais para ser um casaco. Grande demais para ser um algo útil! Veio logo a mais importante lição: "não está bom, desmanche". Sábias palavras da minha mãe. Que por alguma distração da personagem rebelde que mora em mim, entraram fundo na minha mente.

Fazer bem uma peça é tão bom que desmanchar uma peça torta se torna um dever! Que bom que eu introjetei essa idéia, evitando inúteis decepções e desgastes. Até hoje conservo a regra e ela me ajuda muito.

Bem, este não é mais um Blog sobre tricô. É sobre a arte de amar com linhas e lãs. Um pretexto para entrelaçar bons sentimentos e vibrações a cada peça que eu faça. Por isso é como se fosse "feito no céu". Aos poucos, vamos materializando essas boas intenções, tornando-as coisas de fato e esvaziando o inferno de idéias não realizadas. Um gorro, um cachecol, um xale.. é isso o que você vai ter no momento. Aos poucos vou contando meus segredos, fórmulas mágicas e conjuros de amor! Sejam benvindos à minha página!